17 de fevereiro de 2008

Casamento e Julgamento



Hoje fui no Casamento do meu querido amigo Alexandre Peixe.
Foi tudo lindo.
Cerimônia tradicional com pompa e circunstância.
Quase impecável, senão fosse o calor da igreja.
Mas fora isso, sensacional. Os noivos estavam lindos (Alexandre e Larissa) e a festa foi agradabilíssima.
Eu estava com amigos queridos e divertidos.

Mas, não vou falar do casamento em si... e sim de um fato isolado que aconteceu no casório.
Encontrei um ex-namorado que não via há muitos anos.
Bote aí uns 13 anos sem se ver.
Encontrei com a pessoa, logo na minha chegada (que graças ao meu cabelereiro coincidiu com a chegada da noiva). Entrei, meio que correndo pra ver onde estavam minhas amigas, com as quais eu havia marcado de encontrar.
Com a fila do cortejo na porta da igreja, já pronta à iniciar a cerimônia, me apressei em entrar.

Pois bem, falei com ele -bem rapidamente por razões óbvias - para mim pelo menos.
Hum... não tão obvias assim, eu viria a descobrir momentos mais tarde.

Depois da cerimônia, durante a recepção, encontrei com o dito cujo de novo.
Ótima oportunidade de então botar o papo em dia, saber como anda a vida, senão fosse uma sequência de julgamentos sobre a minha pessoa.
Sim porque, quando não se vê - ou convive - de longe ou perto com uma pessoa, qualquer coisa que se possa pressupor são julgamentos prematuros, ou melhor, imaturos.
Logo após o "Oi, tudo bem", veio uma conversa que até agora fico pensando: "Meu Deus, as pessoas estão loucas...."
Levei um sermão de como fui "fria" na minha chegada e como eu estava "estranha", e se eu estava com algum problema com ele... bla bla bla....



Olha, minha gente, prefiro pensar que o que eu ouvi não era pra mim. Devia estar guardado pra uma outra pessoa e que ele derramou na primeira pessoa que ele encontrou.
Porque eu fui sim, digamos contida. Depois na festa até tentei conversar, mas a coisa realmente não fluiu. E eu é que acabei pagando o pato. Hunf...


Ouvi tantas sandices...
Ora bolas, o cara é meu ex namorado. Não há mais nenhuma interesse de envolvimento da minha parte pelo menos, aliás eu estou com outra pessoa.
E, desculpa se eu não sou a mesma de quase 15 anos atrás. Até tentei ensaiar o tema:
Nada é mais constante que a mudança. Mas não deu muito resultado.
Graças a Deus, meu filho, que eu não sou a mesma de 15 anos atrás.


A vida anda, a fila anda, e as pessoas mudam.

Aliás, tenho dito isso frequentemente, de como estou mesmo diferente.
Mas o que eu fico aqui de queixo caído, é que ele teve a pachorra de me dizer : Acorda, vc está sonâmbula... Como quem diz: Olha minha filha, você não sabe de nada.

Olha, eu posso não saber de nada mesmo de fato.
Estou mesmo, com Platão que dizia: "Tudo que sei é que nada sei."
Mas o pouco que sei é sobre mim.
Se sou amarga, chata, fria, sonâmbula... na moral ???
É um problema meu, e eventualmente da minha terapeuta. E só.
Convive quem quer.

Ainda assim, apesar de todos os "adjetivos" citados acima, o cara queria a minha companhia.
E eu fiquei pensando:
Realmente, como as pessoas tecem julgamentos sem ao menos ter a delicadeza de tentar saber que talvez hajam outras razões e pessoas - além delas próprias e seus problemas pessoais.


E se eu estivesse sofrendo por amor ?
E se eu tivesse recebido uma notícia ruim ?
Ou se estivesse com cólica ?
TPM?
Ou simplesmente não estava com saco de conversar com ninguém ?

Desculpa que eu sou chata, então.
E se tenho minhas neuroses como todos temos, não saio por aí descontando em pessoas que nada tem a ver com isso.
(Só pra constar, nenhuma das alternativas. É que conforme a conversa andou, ou melhor desandou, eu meio que perdi a paciência, e resolvi ir embora da festa, com meus amigos.)


Fala sério.
Amigão, segunda feira primeira coisa: Faz um google pra terapeutas em Salvador e se jogue "de com força" no divã.


Porque fazer isso com os outros, numa festa... é muito chato.
Êhh povinho que gosta de DR nos lugares mais inapropriados.
Ainda bem, que as pessoas que tem estado comigo ultimamente não são assim. Pelo menos em festa de casamentos.

Obs. A foto de Woody Allen serve de dupla homenagem:

1. Pra gente que adora um DR
2. E pra quem adora um divã, como eu. Porque é lá que eu realmente me jogo, nos meus dramas pessoais, com a única pessoa com quem eu tenho que confrontar essas coisas: Eu mesma.

3 comentários:

Marcela Oliva disse...

Também fui a um casamento hoje. Ou melhor, a dois. Um pela manhã (segundo um amigo casamento esse horário é para economizar no Whisky) e outro à noite. Graças a Deus tive a sorte de não encontrar nenhum ex e nem tive um tipo de conversa igual ao seu.

É amiga, as pessoas realmente precisam se enxergar mais. Olhar para seu próprio umbigo antes de ficar "cuspindo" coisas que nem sabem.

O que podemos fazer em momentos como esse? Desejar boa sorte ao próximo e se proteger...

bjo-bjo

Dulce Dedino- psicóloga e psicanalista disse...

Bacana!! Adorei a foto...

Renata Tapioca disse...

Amore!! Chuta que é macumba filhaaa!!kakaka